
9 de abr de 2026
O retrato financeiro das famílias de Belo Horizonte em março de 2026 revela um movimento sutil de alívio, ainda que distante de um cenário confortável. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), analisada pelo Núcleo de Pesquisa & Inteligência da Fecomércio MG e aplicada pela CNC, mostra queda nos principais indicadores, mas mantém o alerta sobre o peso das dívidas no orçamento doméstico.
O percentual de consumidores endividados atingiu 89,5%, leve recuo em relação ao mês anterior. A redução também alcançou as contas em atraso, que caíram para 62,6%. Já o grupo que declara não ter condições de quitar dívidas somou 23,8%, também em retração. Os números indicam melhora pontual, mas ainda revelam um nível elevado de comprometimento financeiro na capital mineira. Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, o cenário exige leitura cuidadosa. “Há uma acomodação dos indicadores, o que sugere maior controle das famílias. Mas os patamares continuam altos e mostram que o orçamento segue pressionado, especialmente entre os consumidores de menor renda”, afirma.
O cartão de crédito permanece como protagonista do endividamento. Ele está presente em 95,8% dos compromissos financeiros. O dado reforça a dependência dessa modalidade no dia a dia e acende um sinal de atenção diante das taxas elevadas do crédito rotativo. “O cartão virou extensão da renda. Sem planejamento, ele rapidamente se transforma em um fator de desorganização financeira”, destaca Gabriela. A pesquisa também evidencia desigualdade no impacto das dívidas. Entre famílias com renda de até dez salários mínimos, a inadimplência é maior e mais persistente. Nesse grupo, 64,8% têm contas em atraso, contra 49,7% entre os que ganham mais. A dificuldade de pagamento também é mais intensa: 25,3% dessas famílias dizem não conseguir quitar os débitos, percentual bem superior ao das rendas mais altas. Outro ponto crítico é o tempo das dívidas. Entre os inadimplentes, 44,8% acumulam atrasos superiores a 90 dias, com média de 60,4 dias de inadimplência. O dado indica que boa parte das famílias não consegue reverter rapidamente o desequilíbrio financeiro.
O comprometimento da renda reforça essa pressão. Em média, 33% do orçamento mensal está destinado ao pagamento de dívidas. Em quase um terço dos casos, esse peso ultrapassa metade da renda familiar. “Quando a dívida consome uma fatia tão grande do orçamento, a capacidade de consumo e de recuperação financeira fica limitada. Isso afeta não só as famílias, mas toda a dinâmica do comércio”, analisa a economista.
Apesar da leve melhora no mês, o cenário ainda exige cautela. A Peic de março mostra que o consumidor belo-horizontino começa a ajustar suas contas, mas segue convivendo com um nível elevado de endividamento, que limita decisões de consumo e mantém o crédito como ponto de atenção no curto prazo.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.