Mobilidade urbana desafia competitividade do comércio de Belo Horizonte

31 de jul de 2026

Mais do que um desafio para quem precisa se deslocar diariamente, a mobilidade urbana tornou-se um dos principais fatores que influenciam a competitividade das empresas e o dinamismo da economia de Belo Horizonte. A qualidade da circulação de pessoas, veículos e mercadorias interfere diretamente na produtividade, nos custos operacionais, no acesso dos consumidores aos estabelecimentos e na capacidade de expansão dos negócios. É o que revela pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG com empresários do comércio varejista da capital. O levantamento mostra que os problemas relacionados ao trânsito já extrapolam o campo da infraestrutura urbana e passam a integrar a agenda econômica da cidade, exigindo soluções capazes de fortalecer o ambiente de negócios e impulsionar o desenvolvimento regional.

A percepção dos empresários é contundente. Sete em cada dez entrevistados classificam o trânsito de Belo Horizonte como ruim ou péssimo, enquanto apenas uma pequena parcela considera as condições satisfatórias. Entre os fatores que mais comprometem o desempenho das empresas aparecem o elevado custo dos estacionamentos, os congestionamentos e as dificuldades para operações de carga e descarga, elementos que afetam desde a chegada dos clientes até o abastecimento dos estabelecimentos.

Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, os resultados mostram que a mobilidade precisa ser compreendida como uma política de desenvolvimento econômico e não apenas como uma questão de engenharia de tráfego. “A mobilidade urbana influencia diretamente a competitividade das empresas. Quando consumidores enfrentam dificuldades para chegar aos estabelecimentos, quando mercadorias demoram mais para serem entregues ou quando os custos logísticos aumentam, toda a atividade econômica perde eficiência. O trânsito deixou de ser apenas um problema de deslocamento e passou a afetar a capacidade de crescimento do comércio.”

“A mobilidade urbana vai além dos impactos sobre o trânsito e a competitividade das empresas, afeta a rotina dos trabalhadores. A disponibilidade de ônibus após as 22 horas é essencial para garantir o deslocamento seguro e eficiente de quem atua no comércio e nos serviços, enquanto as dificuldades no transporte público e os congestionamentos contribuem para atrasos na chegada ao trabalho, comprometendo a produtividade das equipes, dificultam a atração e a retenção de mão de obra e o funcionamento dos estabelecimentos, destaca Gonçalves”

A pesquisa demonstra que os congestionamentos produzem um efeito em cadeia sobre a economia local. Além de ampliar o tempo gasto nos deslocamentos, eles aumentam despesas operacionais, reduzem a produtividade das equipes, dificultam o acesso dos consumidores às áreas comerciais e comprometem a eficiência das operações logísticas. Na prática, isso significa menor circulação de pessoas, maior custo para as empresas e redução da competitividade frente a outros modelos de consumo, como o comércio eletrônico e os grandes centros comerciais fechados.

Outro ponto que chama atenção é o custo do estacionamento. Para os empresários, esse é um dos maiores obstáculos para atrair consumidores ao comércio de rua. A dificuldade para encontrar vagas e os preços elevados acabam desestimulando compras rápidas e reduzem a permanência dos clientes nas regiões comerciais, afetando principalmente pequenos e médios estabelecimentos. Cerca de 74% dos entrevistados afirmam que o custo do estacionamento impacta significativamente seus negócios. Segundo Fernanda Gonçalves, facilitar o acesso às áreas comerciais deve ser encarado como uma estratégia para fortalecer a economia da cidade. “A experiência de compra começa antes mesmo de o consumidor entrar na loja. Quando chegar ao comércio se torna difícil ou caro, a cidade perde competitividade e o empresário perde oportunidades de venda.”

As operações de carga e descarga também aparecem entre os principais desafios enfrentados pelo comércio belo-horizontino. Mais de 60% dos empresários apontam que essas dificuldades impactam fortemente suas atividades, resultado das restrições de horários, da escassez de vagas específicas e dos conflitos entre a logística de abastecimento e a circulação de veículos. O efeito é percebido no aumento dos custos operacionais, na demora para reposição de estoques e no encarecimento da distribuição de mercadorias.

A pesquisa mostra ainda que existe um reconhecimento da necessidade de organizar a circulação de caminhões na cidade. Quatro em cada dez empresários avaliam positivamente as restrições impostas aos veículos de carga, mas dois terços acreditam que essas limitações acabam elevando o preço do frete, evidenciando o desafio de conciliar fluidez no trânsito e eficiência logística.

>> Acesse a pesquisa completa

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

 

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