Famílias mantêm cautela para consumo, aponta Fecomércio MG

6 de out de 2026

O consumidor de Belo Horizonte chegou a setembro um pouco mais confiante, mas ainda com o pé no freio. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) avançou 0,4 ponto em relação a agosto e alcançou 86,4 pontos, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), analisada pelo Núcleo Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG.

Apesar da melhora mensal, o indicador permanece abaixo dos 100 pontos, patamar que representa a passagem de uma percepção de insatisfação para satisfação. O resultado revela um consumidor que percebe avanços em alguns aspectos da vida financeira, especialmente renda e emprego, mas que ainda não transformou completamente essa percepção em maior disposição para gastar.

Para a economista da Fecomércio MG Gabriela Martins, o cenário traz sinais positivos, mas ainda recomenda uma leitura cuidadosa. “Há uma melhora gradual na percepção das famílias, especialmente em relação à renda e às expectativas para os próximos meses. No entanto, o consumo corrente permanece mais contido, mostrando que esse ganho de confiança ainda não se converteu integralmente em compras”, avalia.

Renda e emprego sustentam os sinais positivos

Entre os componentes do ICF, a percepção sobre a renda atual ficou em 103,7 pontos, acima dos 102,5 registrados no mês anterior e superior aos 99,6 pontos observados no mesmo período de 2025. Para 28,4% dos entrevistados, a renda familiar está melhor do que há um ano.

A avaliação do emprego também permanece no campo positivo. O indicador de emprego atual marcou 105,3 pontos. Ao todo, 29,1% dos entrevistados afirmaram se sentir mais seguros no trabalho do que no mesmo período do ano passado. O índice está 5,7 pontos acima do resultado registrado em setembro de 2025.

Na visão de Gabriela Martins, esses dois fatores ajudam a explicar por que a intenção de consumo conseguiu avançar mesmo em um ambiente ainda marcado pela prudência. “Emprego e renda são elementos centrais na decisão de consumo das famílias. Quando há maior percepção de estabilidade nesses dois aspectos, cria-se uma base mais favorável para o consumo. O que observamos, contudo, é que o consumidor ainda está selecionando melhor suas compras e evitando compromissos financeiros maiores”, explica a economista.

A expectativa em relação à carreira, porém, ainda é mais moderada. O índice de perspectiva profissional ficou em 81,6 pontos, apesar de ter crescido 0,8 ponto frente a agosto. Apenas 37,7% acreditam que o responsável pelo domicílio terá alguma melhora profissional nos próximos seis meses. O indicador está 11,5 pontos abaixo do observado há um ano.

Se renda e emprego apresentam resultados mais favoráveis, o comportamento de compra mostra que a cautela ainda está bastante presente no orçamento doméstico.

O indicador de nível de consumo caiu para 64,6 pontos, ante 65,5 em agosto. Mais da metade dos entrevistados, 54,2%, declarou que a família está comprando menos do que no ano passado. Apenas 18,8% afirmaram estar comprando mais.

O acesso ao crédito também continua sendo um ponto de atenção. Embora o índice tenha avançado 3 pontos no mês, chegando a 92,8 pontos, 37% dos consumidores avaliam que está mais difícil conseguir empréstimo ou crédito para compras a prazo do que há um ano. “Mesmo quando há uma melhora na renda, o consumidor pode optar por reorganizar o orçamento, quitar compromissos ou formar alguma reserva antes de ampliar o consumo. Além disso, a percepção de dificuldade no acesso ao crédito tende a pesar principalmente nas compras que exigem parcelamento ou maior comprometimento da renda”, observa Gabriela.

Se o consumo atual ainda está retraído, as expectativas para os próximos meses trazem uma sinalização mais otimista. O índice de perspectiva de consumo chegou a 105,1 pontos, com alta de 1,7 ponto em relação a agosto.

Entre os entrevistados, 38,5% esperam consumir mais nos próximos meses do que no mesmo período do ano passado. Outros 27,7% acreditam que o consumo permanecerá no mesmo nível.

O contraste entre o presente e o futuro é um dos principais sinais da pesquisa. Enquanto o nível de consumo corrente está bem abaixo dos 100 pontos, a perspectiva para os próximos meses já se encontra na zona de satisfação. “O consumidor demonstra expectativa de uma condição um pouco melhor adiante. Esse comportamento é relevante para o comércio, especialmente porque a reta final do ano tradicionalmente concentra datas importantes para o varejo. Ainda assim, essa expectativa deve ser analisada junto à capacidade efetiva de compra das famílias”, destaca Gabriela Martins.

A maior resistência aparece justamente nas compras que exigem desembolsos mais elevados. O indicador que mede o momento para aquisição de bens duráveis caiu de 54,4 para 51,9 pontos.

Para 73,9% dos entrevistados, este é um mau momento para comprar itens como eletrodomésticos e outros bens de maior valor. Apenas 25,7% consideram o momento favorável.

O resultado reforça um comportamento de consumo mais seletivo, no qual despesas de maior valor ou que dependam de crédito tendem a ser adiadas.

Também há diferenças importantes entre as faixas de renda. Entre as famílias com mais de dez salários mínimos, por exemplo, o índice de renda atual chega a 117,9 pontos, contra 101,5 entre aquelas com renda de até dez salários mínimos. No emprego atual, os indicadores são de 110,5 e 104,5 pontos, respectivamente. “A pesquisa mostra que a recuperação da confiança não ocorre de maneira uniforme. Famílias de maior renda apresentam uma situação relativamente mais confortável em alguns componentes, enquanto os consumidores de menor renda continuam mais expostos às restrições do orçamento. Isso ajuda a explicar por que a melhora do indicador geral ainda acontece de forma gradual”, conclui Gabriela Martins.

 

ACESSE A ANÁLISE COMPLETA

 

Sobre a Fecomércio MG

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 800 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

 

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