
9 de out de 2026
A confiança dos empresários do comércio recuou em setembro, refletindo uma percepção mais negativa sobre as condições atuais da economia, do setor e das próprias empresas. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), calculado pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG, ficou em 94,7 pontos, abaixo dos 102,5 registrados em agosto. Como a escala considera 100 pontos como a fronteira entre pessimismo e otimismo, o resultado mostra que a percepção dos empresários ainda permanece desfavorável.
O movimento é explicado principalmente pela avaliação do presente. O Índice de Condições Atuais do Empresário do Comércio (Icaec) chegou a 69,7 pontos em setembro, uma queda de 2 pontos em relação ao mês anterior. A percepção sobre a economia brasileira é o principal ponto de atenção: 79% dos empresários afirmaram que as condições atuais da economia pioraram. Entre as empresas com mais de 50 funcionários, esse percentual chegou a 80,6%. A avaliação também é negativa quando o empresário olha especificamente para o comércio. Para 68,1% dos entrevistados, as condições atuais do setor pioraram. Já em relação à própria empresa, 52,6% perceberam uma piora, percentual 1,9 ponto percentual acima do registrado em agosto. Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, os dados mostram que o empresário está fazendo uma distinção entre o cenário atual e aquilo que espera para os próximos meses. “O empresário está mais crítico em relação ao presente, especialmente às condições da economia e do comércio. Ao mesmo tempo, mantém uma perspectiva positiva para o desempenho futuro das empresas, o que mostra que há expectativa de melhora, ainda que com maior cautela.”
O Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (Ieec) ficou em 117,6 pontos em setembro, praticamente estável diante dos 118,9 pontos de agosto. Apesar da pequena retração, o indicador permanece acima de 100 pontos, sinalizando predominância de expectativas positivas. As empresas de menor porte, com até 50 empregados, apresentaram maior otimismo que as de maior porte. “A expectativa continua sendo um ponto de sustentação da confiança, mas os números mostram uma redução gradual do otimismo. O empresário ainda acredita na melhora das vendas, porém acompanha com mais atenção as condições da economia e do setor”, avalia Gabriela.
O cenário de maior cautela também aparece no Índice de Investimento do Empresário do Comércio (Iiec), que caiu de 100,5 para 99,7 pontos entre agosto e setembro. “O comportamento do Iiec reforça a ideia de cautela. Mesmo com uma parcela expressiva dos empresários planejando contratar, o investimento como um todo perdeu força. Isso indica que as empresas seguem se preparando para uma possível melhora da atividade, mas sem ampliar de forma significativa os compromissos de investimento neste momento”, explica a economista.
O ICEC é composto pelos índices de Condições Atuais (Icaec), Expectativas (Ieec) e Investimentos (Iiec). A metodologia considera avaliações dos empresários sobre a economia, o comércio e suas próprias empresas, transformadas em indicadores que variam de zero a 200 pontos. A marca de 100 pontos representa a fronteira entre pessimismo e otimismo. Os dados referentes a setembro de 2026 foram coletados nos últimos dez dias de agosto.