
14 de set de 2026
O orçamento das famílias de Belo Horizonte apresentou sinais distintos em agosto. De um lado, diminuiu a parcela de consumidores endividados e a proporção daqueles com contas em atraso. De outro, aumentou o número de pessoas que reconhecem não ter condições de quitar as dívidas. O movimento revela um cenário de alívio parcial, em que a redução dos atrasos ainda não significa uma recuperação consistente da capacidade financeira das famílias.
De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência da Fecomércio MG e aplicada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 86,4% dos consumidores de Belo Horizonte estavam endividados em agosto, uma queda de 1,8 ponto percentual em relação a julho. Já a parcela com contas em atraso recuou 2 pontos, passando para 63,3%. Na contramão, 32,1% afirmaram não ter condições de pagar suas dívidas, percentual superior ao registrado no mês anterior.
Para a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins, os números mostram que a redução do endividamento precisa ser observada em conjunto com a capacidade efetiva das famílias de reorganizarem o orçamento. “A queda do endividamento e das contas em atraso é um sinal positivo, mas o aumento da parcela que não terá condições de pagar mostra que ainda existe uma pressão importante sobre o orçamento das famílias. O consumidor pode estar reduzindo novos compromissos, mas isso não significa necessariamente que as dívidas já contratadas estejam sendo solucionadas”, avalia.
O cartão de crédito permanece como o principal instrumento de endividamento na capital mineira. Em agosto, 96,2% dos consumidores endividados tinham compromissos nessa modalidade, que aparece muito à frente das demais formas de crédito. A pesquisa destaca ainda a necessidade de planejamento, especialmente diante do custo elevado do crédito rotativo.
A dificuldade de regularização fica ainda mais evidente quando se observa a duração dos atrasos. Entre as famílias que possuem contas pendentes, 54,4% estão com os pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em média, as dívidas estão atrasadas há 68,8 dias. O quadro é mais delicado entre as famílias com renda de até dez salários mínimos: 65,2% possuem algum compromisso em atraso, contra 51,7% entre aquelas com renda superior a dez salários mínimos.
“O tempo de atraso ajuda a dimensionar o desafio. Quando mais da metade das famílias inadimplentes está há mais de 90 dias sem conseguir regularizar suas contas, estamos falando de uma dificuldade que ultrapassa um desequilíbrio pontual do orçamento e pode comprometer o consumo por mais tempo”, explica Gabriela.
Outro dado reforça o peso dessas obrigações sobre a renda. As dívidas comprometem, em média, 34,4% do orçamento mensal das famílias. Em 80,4% dos casos, mais de 10% da renda está comprometida, enquanto 40,7% das famílias endividadas destinam mais de metade do orçamento às dívidas. O comprometimento médio é praticamente semelhante entre as faixas de renda pesquisadas: 34,7% entre famílias com até dez salários mínimos e 32,6% entre aquelas com renda superior a esse patamar.
O prazo também ajuda a explicar por que a melhora dos indicadores de curto prazo ainda exige cautela. 75,7% das famílias endividadas possuem compromissos por 90 dias ou mais, e o tempo médio de comprometimento da renda chega a 8,1 meses.
Para Gabriela Martins, os dados apontam para um consumidor mais atento à necessidade de administrar o crédito, mas que ainda convive com compromissos financeiros de duração elevada. “O cenário de agosto sugere uma mudança importante: há menos famílias relatando endividamento e atraso, mas a parcela que não consegue pagar continua elevada. Para o comércio, acompanhar esse comportamento é relevante porque a capacidade de consumo das famílias está diretamente relacionada ao espaço disponível no orçamento e ao acesso ao crédito”, afirma.
A PEIC traça mensalmente o quadro de endividamento e inadimplência dos consumidores de Belo Horizonte e oferece subsídios para a tomada de decisões dos empresários do comércio de bens, serviços e turismo, especialmente daqueles que utilizam o crédito como ferramenta estratégica.
Observação metodológica: os dados da PEIC de agosto de 2026 foram coletados nos últimos dez dias de julho, com amostra mínima de 1.000 consumidores de Belo Horizonte, maiores de 18 anos, e nível de confiança de 95%.
Sobre a Fecomércio MG
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Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para as empresas e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio. Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.