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10 de dez de 2020
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 7,7% no 3º trimestre deste ano, em comparação aos três meses anteriores. Com o resultado, o país saiu da ‘recessão técnica’, quando há registro de dois trimestres seguidos de queda no nível de atividade econômica. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (3/12). Apesar do recorde para o período, o PIB recuou 3,9% em relação ao 3º trimestre de 2019.
Os números apresentados pelo IBGE se referem à série com ajuste sazonal, em que se retira os efeitos específicos de cada período, como eventos pontuais e as datas comemorativas. São os casos do Dia dos Pais e da Semana Brasil, que aconteceram, respectivamente, nos meses de agosto e setembro. Assim, a economia ainda se encontra no mesmo patamar de 2017, com uma queda acumulada de 5% de janeiro a setembro deste ano.
Em valores correntes, o PIB do 3º trimestre totalizou R$ 1,891 trilhão. Desse montante, R$ 1,2 trilhão foi movimentado pelo setor de serviços, que engloba o comércio. Apesar de histórico para o intervalo entre julho e setembro, o resultado foi insuficiente para compensar o colapso causado pela pandemia de Covid-19 no 1º trimestre (-1,5%) e no 2º trimestre (-9,6%). Já no acumulado dos últimos 12 meses, houve uma queda de 3,4% em relação aos quatro trimestres anteriores.
O economista-chefe da Fecomércio MG, Guilherme Almeida, considera que a forte reação do PIB entre julho e setembro está relacionada a uma fraca base de comparação, marcada pela queda abrupta da economia no 2º trimestre.
A alta foi sustentada pela melhora dos setores da indústria e de serviços – que regrediram fortemente entre maio e junho – e pelos gastos do governo com auxílios e medidas de transferência de renda”, avalia.
Duramente afetado pelas medidas de distanciamento social, necessárias para a contenção do novo coronavírus, o setor de serviços mostrou os primeiros sinais de recuperação. No 3º trimestre, ele expandiu 6,3%, após um tombo de 9,4% no trimestre anterior. Esse setor é responsável por mais de 70% do PIB nacional. Vinculado a ele, o setor de comércio demonstrou mais consistência ao crescer 15,9% entre julho e setembro, revertendo a queda de 13,7% no 2º trimestre.
A flexibilização das restrições às atividades empresariais ajudou na recuperação do consumo das famílias, mas foi insuficiente para que os serviços retomassem o patamar anterior à crise. Com a pandemia de Covid-19 ainda presente, muitas pessoas se mostraram receosas ao consumir, em especial serviços oferecidos às famílias, como entretenimento, beleza, bem-estar e hotelaria”, analisa Almeida.
No 3º trimestre, a indústria avançou 14,8%, recuperando-se da retração de 13% entre maio e junho de 2020. Com uma expansão de 23,7%, ante uma queda de 19,1% no trimestre anterior, a indústria de transformação puxou a melhora do setor, retomando aos patamares do 1º trimestre. Embora tenha retraído 0,5% entre julho e setembro, a agricultura continua crescendo na taxa interanual, em virtude da safra de soja, principal lavoura brasileira.
No comparativo com o mesmo trimestre de 2019, a agropecuária cresceu 0,4%, puxada pelos ganhos de produtividade do café (21,6%); a indústria recuou 0,9%, por influência das perdas na construção civil (-7,9%); e o setor de serviços retraiu 4,8%, em função de perdas significativas em segmentos como outras atividades de serviços (-14,4%) e transporte, armazenagem e correio (-10,4%).
Pela ótica da despesa, o consumo das famílias – responsável por movimentar 65% das riquezas do país – teve expansão de 7,6%. O percentual, no entanto, está abaixo do resultado do PIB para o 3º trimestre. Além disso, o indicador não compensa o forte recuo de 11,3% registrado no 2º trimestre, quando a crise no mercado de trabalho e as restrições às atividades econômicas frearam o consumo.
De acordo com o governo, o auxílio emergencial teve um impacto de 2,5% no PIB brasileiro, chegando a 6,5% no Nordeste. O benefício tem contribuído para o consumo das famílias, impactando de forma positiva todos os setores da economia”, salienta o economista-chefe da Federação.
Outro segmento a crescer abaixo do PIB foram as despesas de consumo do governo, que expandiram 3,5%.
Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 11%, após queda de 16,5% no trimestre anterior. No entanto, acumulam queda de 5,5% no ano. Já a taxa de investimento em percentual do PIB se manteve estável: 16,2% contra 16,3% no mesmo período do ano anterior. Em 2013, dois anos antes da recessão de 2015-2017, essa taxa chegou a superar 21%.
O comércio exterior, por sua vez, registrou um fluxo menor em comparação ao trimestre anterior. As exportações de bens e serviços tiveram queda de 2,1%, enquanto as importações caíram 9,6%. Os ajustes na safra de soja, decorrentes de estiagens no período, e a queda na demanda por componentes importados para a produção industrial pesaram nos resultados dos negócios internacionais.
Diante dos resultados apresentados, o mercado vem ajustando as perspectivas em relação ao PIB de 2020. A expectativa média, otimista até o início do ano, já aponta para um recuo de 4,5%. Os mais confiantes acreditam em um tombo de 3,29% do PIB. Na outra ponta, os mais pessimistas creem em uma queda de 6,21%. Para os próximos dois anos, a expectativa segue positiva, até mesmo pela base fraca de comparação: melhora de 3,45% em 2021 e 2,5% em 2022.